O jornalismo deveria funcionar como um interlocutor do espectador
Por Verônica Gonçalves
“Cultura, no sentido amplo e antropológico, é tudo que o homem faz, seja uma produção material ou espiritual, seja pensamento ou ação. A cultura resulta do esforço humano para construir sua existência, e é isso que caracteriza os diversos agrupamentos humanos, permitindo distinguir, por exemplo, a cultura nhambiquara da cultura grega. Podemos também considerar o conceito da cultura, em um sentido estrito, como a produção intelectual de um povo, expressa nas produções filosóficas, científicas, artísticas, literárias, religiosas, em resumo, nas suas manifestações espirituais. Nesse sentido, pessoas ou grupos se ocupam com diferentes formas de expressão cultural (o artista, o escritor, o filósofo, o cientista, e assim por diante)”. (Maria Lúcia de Arruda Aranha)
Sendo a cultura o reflexo dos valores de um povo, é de fundamental importância que ela seja debatida na sociedade, especialmente em relação à produção intelectual. As manifestações artísticas problematizam questões de um determinado tempo, basta pensar em filmes como “O que é isso companheiro?”, “A vida é bela”, “Corporation”… E em livros como “A ilha”, “Depois daquela viagem”, “Dom Casmurro”… São obras que expõem dilemas cotidianos, do presente ou do passado.
Para que essas discussões não fiquem restritas a um grupo seleto de pessoas é importante que alguém seja responsável por comentá-las e torná-las mais acessíveis. Para isso nada melhor que a mídia. É fácil ter acesso a uma televisão, um rádio, uma revista ou um jornal impresso, cada um com uma linguagem diferente.
Mesmo com as críticas que vem sendo feitas ao tipo de jornalismo que é desenvolvido hoje (superficial e sensacionalista) ainda se defende que ele é o quarto poder da sociedade por divulgar informações que seriam de relevância mundial. Em relação ao jornalismo cultural, o jornalista Sérgio Rizzo afirma “como todas as demais áreas de cobertura do jornalismo, o cultural tem compromissos com seu público, que variam de veículo para veículo, de mídia para mídia. De forma geral, penso que deveria funcionar como um interlocutor qualificado do leitor/ ouvinte/ telespectador/ internauta que o ajudasse a compreender um pouco melhor o cenário cultural.”
Para a legitimidade da profissão, Rizzo defende “penso que o bom exercício do jornalismo cultural passa obviamente por uma boa formação como jornalista. Ter conhecimentos verticalizados sobre duas ou três áreas de cobertura dentro do jornalismo cultural me parece importante para quem deseja trabalhar com reportagem. A crítica é decorrência de uma carreira dedicada à pesquisa em determinada(s) área(s).”
Evidentemente não é necessário que fiquemos sempre pensando nos valores que uma obra reforça ou combate, afinal certas produções culturais podem apenas ser entendidas como uma forma de diversão. Mesmo assim a crítica cultural tem sua importância porque ela mostra quais assuntos são abordados por aquela obra, qual o gênero que ela pertence… E assim poderemos decidir o que interessa.
Fontes
Imagem: Sérgio Rizzo/Site Oficial do Sérgio Rizzo
